Expectativa de inflação baixa em 2018 favorece reajustes moderados dos contratos de energia.

  • IPCA dezembro. Segundo o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) anotou alta de +0,44%, taxa superior à registrada em novembro (+0,28%). Os responsáveis por esta aceleração foram os grupos Alimentação e bebidas, Artigos de residência, Vestuário, e Transportes. novembro e dezembro. As maiores contribuições positivas foram: gasolina (0,09 p.p e alta de +2,26%), passagem aérea (0,09 p.p e alta de +22,28%) e refeição (0,05 p.p e alta de +1,04%).

  • Tarifa de energia: depois de ter anotado alta de 3,28%, em outubro, e de 4,21%, em novembro, em dezembro a energia elétrica residencial registrou queda de 3,09% na esteira da mudança da bandeira tarifária vermelha, que passou de patamar 2 para patamar 1.

  • Acumulado. No acumulado de 2017, o IPCA totalizou avanço de 2,95%, menor resultado desde 1998. A safra agrícola favorável, o elevado nível de ociosidade e a demanda ainda contida explicam a forte desaceleração inflacionária na comparação com 2016, quando os preços  subiram 6,29%.

  • Boletim Focus e perspectivas. Para 2018, com a recuperação moderada da economia, as expectativas mais recentes são de um IPCA de 3,95%, o que significaria mais um resultado abaixo do centro da meta de inflação (4,5%). Neste cenário, supondo hidrologia dentro do esperado, os reajustes dos contratos de compra e venda de energia devem seguir moderados e a taxa Selic pode prosseguir em queda, contribuindo para uma futura recuperação dos investimentos tão logo a ociosidade diminua.

Nota 1: no Brasil muitos contratos possuem cláusulas de correção monetária. Por essa razão, a inflação passada costuma ser repassada aos preços no caso dos contratos que possuem prazos maiores que alguns poucos meses. No caso dos contratos de energia, os preços não seguem apenas a inflação. Sobretudo no curto prazo, os preços são particularmente afetados pela hidrologia e pelo nível de armazenamento dos reservatórios, pois estes condicionam as variações do Custo Marginal de Operação e do PLD.

Nota 2:  as expectativas sobre a inflação determinam os movimentos da taxa de juros. Sempre que as expectativas  sobre a inflação recuam, abre-se espaço para que o Banco Central promova a queda da taxa Selic. Por sua vez, a queda da Selic reduz, com alguma defasagem de tempo, o custo do crédito ao consumo, o custo do financiamento das empresas e o custo de oportunidade de novos investimentos, favorecendo a expansão do consumo das famílias, a produção, a ampliação e a modernização da capacidade produtiva. A queda dos juros, porém, não garante por si só a retomada do consumo e dos investimentos. Para que isso ocorra, também é necessário que as famílias tenham mais segurança para gastar (o que depende da evolução da massa de renda e do nível da taxa de desemprego) e que as empresas não apresentem elevado nível de ociosidade produtiva. Até o momento estas últimas condições ainda não se verificam.